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O que o grupo Zara faz (ou deixa de fazer) na Black Friday

Na Black Friday, o grupo Zara adota uma estratégia discreta, com descontos limitados e sem campanhas agressivas. A escolha revela um posicionamento de marca baseado em escassez, previsibilidade e controle de desejo, em vez de volume promocional.

Publicado em

12/12/25

Atualizado em 20/01/26

Escrito por

Vanessa Caldas

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5 min (est.)

O que o grupo Zara faz (ou deixa de fazer) na Black Friday

Key Insights

  • O grupo Zara não compete por atenção na Black Friday e aposta em uma estratégia silenciosa e previsível
  • Os descontos praticados são limitados, geralmente entre 20% e 40%, e os estoques se esgotam rapidamente
  • A ausência de campanhas agressivas reforça escassez, desejo e posicionamento premium acessível
  • A estratégia revela maturidade de marca e confiança na demanda construída ao longo do ano

Enquanto o varejo brasileiro entra em clima de Black Friday no início de novembro: com descontos escalonados, campanhas de aquecimento, contagens regressivas e “Black tudo”, com o objetivo de garantir a sua parte no bolso do consumidor logo no início do mês, algumas marcas adotam uma postura oposta. Silenciosa, contida, quase indiferente. E é justamente essa ausência de urgência que revela uma estratégia de marca potente. As marcas do grupo da Zara, como Zara, Bershka, Oysho, Stradivarius, Pull&Bear e outras do portfólio da Inditex, não entram na corrida pelo mês promocional. Elas esperam. E quando agem, já é praticamente sexta-feira.

Na véspera da Black Friday, muitas vezes tarde da noite, pouco antes da virada oficial, os sites e aplicativos são atualizados. O consumidor pode montar seu carrinho, visualizar o preço com desconto e, em alguns casos, já concluir a compra antecipadamente dentro do app. A loja física? Só entra no jogo na sexta-feira mesmo. Nada de antecipação de ofertas em vitrine, sinalizações espalhafatosas ou promessas de descontos progressivos. E o mais curioso: os percentuais de desconto nem são tão altos. A Black Friday da Zara gira em torno de 20%, 30%, no máximo 40% — e ainda assim, os estoques somem.

O que esse comportamento revela não é falta de estratégia. Pelo contrário: é um posicionamento claro de marca. Em vez de disputar atenção com campanhas longas, a marca opera na confiança de que o desejo já foi construído ao longo do ano. Não precisa seduzir de novo, nem justificar o desconto. Basta estar presente quando o consumidor estiver pronto. E ele estará.

Esse tipo de estratégia exige maturidade de marca, claro, mas também estrutura. Uma base sólida de branding, canais próprios bem calibrados, um bom app, logística preparada para um pico concentrado e uma leitura apurada do comportamento de consumo. No Brasil, por exemplo, esse movimento seria inviável para a maior parte do varejo. A pressão por faturamento é real, a competição é intensa e o calendário comercial exige ações prolongadas. É por isso que a maioria das marcas começa cedo: há o medo (justificável) de que, se o consumidor gastar no começo do mês, não tenha mais fôlego no fim. A urgência aqui é outra.

Mas é justamente por isso que observar a estratégia da Zara (e marcas semelhantes) em outros mercados pode ser tão revelador. Porque mostra o que muda quando a marca pode escolher como vai se comportar — e não apenas reagir às condições do mercado. A Zara também atua assim no Brasil, mas aqui a quantidade de marcas que agem dessa forma é consideravelmente maior.

A estratégia fria e silenciosa do grupo Zara na Black Friday funciona porque ela é coerente com o que essas marcas constroem o ano inteiro: desejo, controle, escassez. O cliente já entendeu a lógica. Ele sabe que os preços não vão despencar, que a coleção não vai voltar, que os produtos não ficarão esperando por ele. E ainda assim — ou justamente por isso —, ele espera.

Essa postura diz muito sobre branding. E sobre timing. Nem toda marca pode fazer o mesmo — e tudo bem. Mas vale observar o quanto o “não fazer barulho” também comunica. E como, em alguns contextos, o silêncio pode ser a mensagem mais poderosa.

"Na Black Friday, a Zara trabalha com descontos moderados, geralmente entre 20% e 40%. Mesmo sem campanhas agressivas, os estoques se esgotam rapidamente, reforçando o valor da marca e a lógica da escassez."

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O que este artigo responde

Por que o grupo Zara adota uma estratégia silenciosa na Black Friday, com descontos limitados e sem campanhas agressivas, e o que isso revela sobre posicionamento de marca e comportamento do consumidor.

Fontes e Referências

Observação de comportamento promocional do grupo Inditex em períodos de Black Friday
Análise editorial baseada em práticas recorrentes da Zara no varejo global
Histórico de campanhas e comunicação da marca em datas promocionais

Perguntas Frequentes

Qual é a média de desconto da Zara na Black Friday?
Historicamente, os descontos da Zara giram em torno de 20% a 30%, podendo chegar a 40% em casos pontuais, sem campanhas agressivas ou comunicação massiva.
Por que a Zara não faz grandes descontos na Black Friday?
Porque a estratégia do grupo Zara não depende de picos promocionais. A marca prioriza controle de estoque, escassez e desejo contínuo, mantendo descontos limitados e previsíveis.