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Por Que Todas as Marcas Estão Abrindo Cafés?

Quando a loja vira destino, o produto vira detalhe. Entenda por que os cafés estão no centro da reinvenção do varejo — e o que isso tem a ver com a sua marca. Louis Vuitton, Coach, Capital One e Uniqlo apostam nessa estratégia sensorial para transformar a experiência de varejo.

Publicado em

14/01/26

Atualizado em 15/01/26

Escrito por

Vanessa Caldas

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5 min (est.)

Por Que Todas as Marcas Estão Abrindo Cafés?

Key Insights

  • Marcas estão usando cafés para estender sua narrativa, criar experiências memoráveis e transformar lojas físicas em destinos.
  • Coach aumentou até 300% em vendas com cafés.
  • Luxo vira acessível: um café de R$ 40 aproxima o consumidor da marca mais que qualquer anúncio.
  • Capital One mostra que até bancos podem tangibilizar serviços com ambientes físicos e sensoriais.
  • Mais que vender: a estratégia é sobre engajar sentidos, prolongar permanência e criar desejo por meio da experiência.

Está começando a parecer que, em algum momento, toda marca decide abrir um café. Louis Vuitton, Dior, Coach, Uniqlo, Ralph Lauren — até bancos como o Capital One entraram nessa. Pode parecer só mais um ponto de contato, mas o que está por trás dessa tendência é bem mais estratégico: o varejo está deixando de ser só lugar de compra para virar espaço de experiência. E isso tem tudo a ver com o jeito que as pessoas querem se relacionar com marcas hoje.


Quando você entra na loja da Uniqlo na Fifth Avenue, em Nova York, a impressão inicial é aquela de sempre: roupas bem organizadas, básicos alinhados. Mas suba um andar e você encontra um café discreto, minimalista, acolhedor. Não é acaso. É plano. O CMO da Uniqlo nos EUA explicou que o objetivo é criar um andar de serviços onde as pessoas possam experimentar, ajustar e personalizar as roupas — tudo isso enquanto tomam um bom café ou um matcha. Isso muda o tempo de permanência. Muda a experiência. Muda a lembrança. E o movimento não é novo — a marca está apenas replicando algo que já faz sucesso em suas lojas na Ásia.


Quando o café vira branding

Cada marca está usando esse espaço de forma diferente, e é aí que está a força da estratégia. A Coach criou bolos especiais inspirados em seus produtos mais icônicos. A Louis Vuitton montou uma biblioteca com mais de 600 livros de moda e cultura para acompanhar o café. A Tiffany transformou seu interior azul icônico em cenários instagramáveis que exigem reserva com dias de antecedência. A Gucci, em Florença, mistura café com coquetéis e menus sazonais toscanos.

Cada um desses espaços não é apenas um café. É um ponto de expressão da marca — um lugar onde identidade, narrativa e experiência se encontram.


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Por Que Café?

O café não foi escolhido por acaso. Joe Pine, autor do livro A Economia da Experiência, explica que o café é uma das formas mais acessíveis de criar experiências completas, porque ativa todos os sentidos: visão, olfato, paladar, tato e audição.

E em um mundo em que o digital domina a conveniência, a loja física só faz sentido se entregar algo que a tela não pode: conexão sensorial, presença real, memória.


Luxo Acessível: A Estratégia Inteligente

No caso do luxo, essa lógica é ainda mais potente. Nem todo mundo pode pagar por uma bolsa de US$ 3.000. Mas muita gente investe US$ 9 em um café da Louis Vuitton. E esse momento — por menor que pareça — cria vínculo. Aproxima. Gera desejo.

Segundo a Coach, muitos jovens com 13 ou 14 anos entram na loja pela primeira vez por causa do café. Com dinheiro da mesada. E saem com uma experiência da marca na memória. Isso é construção de marca na prática.


O Caso Especial do Capital One

E não são só marcas de moda que entraram nessa. O Capital One, um banco, abriu dezenas de cafés nos Estados Unidos para dar corpo a algo que tradicionalmente é intangível: serviços financeiros. Conta, cartão de crédito, investimento — tudo existe, mas não se sente. O café torna isso mais concreto, humano. E, melhor ainda, titulares de cartões recebem desconto nas bebidas — transformando o benefício em algo palpável.

O diferencial? Titulares de cartão Capital One e Discover recebem 50% de desconto em bebidas – transformando o café em um benefício real do produto financeiro.


Os Custos (E Como Cada Marca Lida Com Isso)

Manter um café de marca não é barato. Matéria-prima cara, clima instável, tarifas — tudo encarece o processo. Por isso, cada empresa tem adotado um modelo diferente:

  • Uniqlo e Coach: adicionam cafés em lojas já existentes.
  • Capital One: constrói espaços maiores com operação terceirizada.
  • Marcas de luxo: incorporam o café como extensão natural da experiência.


E ninguém está parado:

→ A Coach quer abrir 12 a 15 cafés por ano.

→ O Capital One tem novos espaços planejados para 2026.

→ A Uniqlo avança com calma, testando antes de escalar.



O Varejo Deixou de Ser Transacional

A proliferação de cafés de marca sinaliza uma mudança profunda: o varejo deixou de ser transacional para se tornar relacional. Em um mundo onde a experiência online é rápida e sem atrito, o que faz a diferença é justamente aquilo que não pode ser replicado no digital: sensações reais, momentos compartilhados, encontros memoráveis.

Quanto mais as pessoas valorizam experiências, mais elas buscam motivos para sair de casa. E um café bem pensado, em um espaço que faz sentido para a marca, entrega exatamente isso.

O futuro do varejo não é apenas sobre o que você vende — é sobre como você faz as pessoas se sentirem. E dificilmente algo faz isso tão bem quanto uma xícara de café em um ambiente cuidadosamente projetado. As pessoas querem sair de casa por bons motivos.


E No Seu Negócio?

Essa tendência não se limita ao luxo — e nem ao café. O ponto central é criar novos momentos de contato com o público que vão além da transação. Um lugar onde a marca deixa de ser discurso e vira experiência.

"Não é sobre café. É sobre tempo, pertencimento e percepção de valor. Coach, Uniqlo, Dior, Capital One... o que todas essas marcas descobriram sobre experiência de marca começa com uma mesa, um espresso e um novo ponto de contato. Cafeterias como ponto de conexão, experiência e diferenciação. Mais do que um capuccino, o café virou estratégia de branding, luxo acessível e experiência sensorial. O novo varejo passa por aqui."

Galeria Visual

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Le Café Louis Vuitton New York - interior

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Gucci - Florença

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Ralph Lauren Coffee

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Cafe Uniqlo

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Café Louis Vuitton

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Cafe da marca Dior - Miami

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O que este artigo responde

Por que tantas marcas estão abrindo cafés? Como o café virou uma estratégia de branding e experiência no varejo?

Fontes e Referências

Informações sobre aumento de vendas na Coach e número de cafés do Capital One: CNBC e relatórios de imprensa 2025.
Joe Pine – Coautor de "The Experience Economy"
Forbes AU: Louis Vuitton just launched high tea—and it’s as chic as its handbags
Marcus Sanders (VP Global da Coach)
Nico Cessot (CMO Uniqlo EUA)