Os tênis do LIDL: Quando o supermercado virou marca desejada
Um tênis de supermercado virou item de colecionador e foi revendido por mais de €700. O case do LIDL mostra como produto simples, humor, cultura pop e timing podem transformar uma marca popular em objeto de desejo — sem perder sua essência.
Publicado em
04/12/25
Atualizado em 06/01/26
Escrito por
Vanessa Caldas
Leitura
3 min (est.)

Quando um produto simples encontra o timing certo e a leitura cultural correta, ele deixa de ser mercadoria e vira símbolo. O LIDL entendeu isso antes de muita marca de moda.
Destaques do Editor
- Produtos simples podem gerar desejo quando conectados à cultura
- Storytelling + timing transformam ações pontuais em casos de marca
- Edições limitadas criam escassez e valor simbólico
- Humor e autoironia fortalecem branding popular
- Branding não depende de luxo, mas de leitura cultural
Registrei essas imagens há um tempo e fui atrás da história que envolve produtos simples, edições limitadas, storytelling inesperado e uma boa dose de cultura pop.

Sim, o Lidl — aquele supermercado de bairro, conhecido pelos preços baixos e corredores apertados — lançou um par de tênis com as próprias cores. E o improvável virou hype. Esgotou. Virou item de colecionador. E mais: ajudou a posicionar a marca num lugar de desejo, conversa cultural e criatividade inesperada.
Fiquei tão intrigada com o caso que fui atrás da história. E o que parecia só uma ação pontual de PDV, virou um estudo sobre produto, cultura pop e timing.
👟 O começo de tudo
Os tênis surgiram lá fora, em 2020, como uma edição limitada. O design? Básico, mas inconfundível: azul, vermelho e amarelo — as cores da marca.
A reação? Esgotou rápido. Poucos pares foram parar no mercado secundário. E aí veio o choque: valores acima de €700 no eBay.
Um produto simples, de uma marca "barata", que virou peça-desejo.

💥 O poder do storytelling
O Lidl não parou no tênis. Logo depois lançou o casaco de “prendas” que virou peça de colecionador. Os bolsos deixam tudo visível, quase como uma sacola de mercado que pode ser vestida. A única maneira de ter uma belezinha dessas era participar de uma ação promocional. E depois, uma jaqueta inspirada na banda Oasis, lançada exatamente no momento em que o reencontro entre Liam e Noel Gallagher virava notícia.
Tudo com edições limitadas. Tudo com um toque de humor, afeto e cultura pop. A última peça — a jaqueta “Lidl by Lidl” — ia além do visual: tinha bolso térmico pra manter cerveja gelada, zíper que vira abridor e um visual que parecia saído de um show nos anos 90.
🧠 Estratégia por trás da estética
O que essas ações ensinam?
Produto com personalidade gera conversa.
Mesmo que seja um tênis de supermercado. Quando o design assume sua identidade (cores, estilo, referência), ele vira uma declaração.
Storytelling humaniza.
Trazer a avó da designer para a campanha transforma a ação em algo emocional — e memorável.
Timing é tudo.
A jaqueta foi lançada exatamente no momento do burburinho sobre o reencontro da Oasis. Ponto pra oportunidade.
Funcionalidade divertida + escassez = desejo.
Abridor de garrafas no zíper, bolso térmico, tiragem limitada. Parece detalhe, mas faz a diferença na hora de criar buzz.
Branding fora da curva.
O Lidl deixou de ser só um supermercado e virou referência de “marca que se diverte com o que é”. Ganhou noticiário, fãs e relevância cultural — tudo isso sem perder o DNA popular.
💡 Pra quem trabalha com e-commerce, branding ou produto:
Esse case mostra que não é preciso estar no eixo fashion para gerar desejo. Mas é preciso entender cultura, saber rir de si mesmo e acertar o timing.
No fim, não é só sobre lançar uma peça. É sobre lançar uma ideia que faz sentido — e que as pessoas queiram vestir (ou compartilhar).
E você? Compraria um tênis do supermercado?
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O que este artigo responde
Como um supermercado conseguiu transformar um produto comum em objeto de desejo e relevância cultural usando storytelling, timing e identidade de marca.




