Voltar para Artigos
Branding

Como Veja e Sol de Janeiro transformaram a brasilidade em estratégia global de marca

Veja, nascida na França, e Sol de Janeiro, criada nos Estados Unidos, têm em comum algo que parece paradoxal: ambas são marcas gringas que “parecem brasileiras demais para não serem”.

Publicado em

21/05/25

Atualizado em 06/01/26

Escrito por

Vanessa Caldas

Leitura

3 min (est.)

Como Veja e Sol de Janeiro transformaram a brasilidade em estratégia global de marca

Veja, nascida na França, e Sol de Janeiro, criada nos Estados Unidos, têm em comum algo que parece paradoxal: ambas são marcas gringas que “parecem brasileiras demais para não serem”.

Destaques do Editor

  • Marcas globais podem transformar uma cultura local em ativo estratégico quando há respeito e consistência.
  • Veja e Sol de Janeiro mostram que brasilidade pode ser identidade — não apenas estética.
  • Apropriação cultural consciente exige pesquisa, repetição e posicionamento claro.
  • Branding forte nasce da coerência entre narrativa, produto e experiência.

A Veja, nascida na França, e a Sol de Janeiro, criada nos Estados Unidos, são dois exemplos precisos de como marcas globais encontraram valor — e potência simbólica — ao eleger o Brasil como narrativa central. O detalhe que muda tudo: nenhuma delas é brasileira de origem. Ainda assim, ambas se apropriaram da estética, do ritmo e da simbologia do país com um nível de profundidade que torna quase impossível dissociá-las do imaginário brasileiro. Aqui, a brasilidade não é referência. É o core da marca.


Veja: do tênis à Amazônia, um branding ancorado em propósito

Fundada na França, a Veja conquistou relevância internacional não apenas pelo design minimalista ou pelo discurso sustentável, mas pela forma como transformou o Brasil — especialmente a Amazônia — em parte estrutural da sua proposta de valor.


O uso de borracha nativa, o algodão orgânico, o relacionamento direto com comunidades locais e uma cadeia de produção rastreável não funcionam como diferenciais isolados. São pilares de um storytelling consistente, que conecta consumo consciente, impacto ambiental e um tipo de ativismo silencioso — porém extremamente eficaz.


A Veja não “usa” o Brasil como cenário exótico. Ela se insere nele com método, respeito e continuidade. O resultado é curioso: uma marca europeia que, aos olhos do mundo, parece genuinamente brasileira — e com legitimidade para ocupar esse lugar.



Sol de Janeiro: a exuberância tropical como assinatura

No universo da beleza, a Sol de Janeiro constrói uma narrativa paralela, mas igualmente poderosa. Nascida nos EUA, a marca traduz o Brasil como fantasia tropical contemporânea — com cor, humor, sensualidade e orgulho.


Dos nomes dos produtos às embalagens vibrantes, passando pelas fragrâncias que evocam o verão carioca e um lifestyle solar e descomplicado, tudo comunica um Brasil elevado à categoria de desejo. E talvez o mais interessante: mesmo sendo uma marca americana, a Sol de Janeiro se comporta como uma marca brasileira bem resolvida. Há domínio estético, clareza de tom e coerência narrativa — do feed ao ponto de venda.



Apropriação cultural? Não. Apropriação com consciência.

O ponto de convergência entre as duas marcas é estratégico: não se trata de “parecer brasileira”, mas de incorporar o Brasil como identidade de marca. Isso exige pesquisa, repetição, consistência visual e clareza de posicionamento. Não é sobre estereótipo — é sobre imersão cultural bem executada.


Veja e Sol de Janeiro mostram que um imaginário local pode se tornar potência global, desde que a execução acompanhe a ambição. Elas não são exceções isoladas. São sinais claros de uma virada no branding internacional: marcas que entendem que, para conversar com o mundo, é preciso contar bem a história de um lugar.


E quando essa história é bem contada, ela deixa de ser geografia — e vira identidade.

Receba insights semanais diretamente no seu e-mail.